Concorrência
Aumenta público comum de bancos e cooperativas de crédito
Acirra-se a concorrência no sistema financeiro, o que aumenta a importância das estratégias de marketing de longo prazo com foco nas necessidades da clientela
Clara Favilla, enviada especial da ASN
7° Congresso Brasileiro de Cooperativismo de Crédito (Concredi) é realizado em Fortaleza
Fortaleza - Cada vez mais amplia-se o segmento de clientes, já fidelizados ou em potencial, público-alvo tanto de bancos como de cooperativas de crédito. Por isso é necessário que os sistemas cooperativos estabeleçam estratégias que tornem as respectivas marcas e serviços conhecidos da população. A avaliação é da doutora em Marketing Cooperativo Imaculada Buendia Martinez. Ela, que é pesquisadora da Universidade de HEC, Montreal (Canadá), abriu, nesta quinta-feira (10), a programação de palestras do ‘7° Congresso Brasileiro de Cooperativismo de Crédito’ (Concred) que se realiza em Fortaleza (CE).
Considerando-se, graficamente, bancos e cooperativas de créditos como dois círculos diferentes, a intersecção entre eles era mínima na década de 90. Ou seja, trabalhavam basicamente com públicos distintos. As cooperativas, por restrições legais, junto a públicos homogêneos como os de produtores rurais, de funcionários públicos e profissionais liberais, por exemplo. E os bancos tradicionais com as faixas de empresas mais organizadas e pessoas físicas em geral de renda média e alta ou de menor renda, desde que assalariados com carteiras assinadas.
A estabilidade econômica e regras mais flexíveis para o cooperativismo de crédito mudaram essa realidade. Em 2008, os dois mundos, o do cooperativismo e dos bancos, começam a se sobrepor. Já há uma faixa considerável de público sujeito às ações desses dois importantes atores do sistema financeiro. Os bancos começam a enxergar micro e pequenas empresas, pessoas físicas de menor renda e até mesmo empreendedores informais como nichos importantes de negócios. As cooperativas, por sua vez, em função das regras de livre admissão já trabalham com um público bastante heterogêneo. O resultado é o acirramento da concorrência, cujo principal resultado é a melhoria da prestação de serviços financeiros à população em geral.
Esse acirramento da concorrência, segundo Imaculada Buendia Martinez, torna necessária a adoção, por parte das cooperativas de crédito, de estratégias de marketing, em seu sentido ampliado, não restrita apenas à publicidade. “Trata-se na verdade da construção de estratégias que permitam um relacionamento de longo prazo entre as cooperativas e seus associados e consumidores em geral de seus serviços. O que só é possível com foco na satisfação das necessidades da clientela”, explicou a pesquisadora.
Ela enfatizou que essas estratégias derivem de um sistema avançado de informações que permita uma atuação segmentada das cooperativas. Um sistema de informações que seja o nexo, o elo, entre os responsáveis pelas decisões das cooperativas e o mercado. “É preciso se investir na gestão das relações com os clientes, só assim as cooperativas crescerão com a sustentabilidade necessária”, explicou.
Para a pesquisadora, um Sistema de Informações de Marketing não é custo, mas um fundo de rentabilidade. As cooperativas precisam, assim, se equipar de recursos humanos e tecnológicos que estabeleçam uma rotina de procedimentos capaz de recolher, classificar, analisar, e dar suporte a decisões que tenham, de fato, vínculo com o mercado. A avaliação da pesquisadora Imaculada é que as cooperativas de crédito, no Brasil, precisam consolidar rapidamente para esse tipo de profissionalismo porque o cenário para 2015 é de grande ampliação do público-alvo comum ao dos bancos.
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