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03.03.2006 | 11:24

Empreendedorismo Social

Empreendedora comanda programa de rádio que beneficia mulheres

A história de Deuselina Teles, com sua luta pela melhoria da qualidade de vida das mulheres de Cocalzinho, em Goiás, foi a vencedora da etapa estadual do Prêmio Sebrae Mulher Empreendedora

Adrianne Vitoreli

Ênio Tavares
Ênio Tavares

Deuselina Teles luta em favor da melhoria da qualidade de vida das mulheres de Cocalzinho de Goiás

Goiânia - Nunca é tarde para começar. Esse provérbio popular seria suficiente para definir a vida de Deuselina Teles, mas não faria justiça à uma vida de luta e de muito trabalho. Com a juventude de seus 56 anos estampada no rosto, Dona Deusa se inspirou na fênix – a ave mitológica que renasceu das cinzas –, para promover uma transformação em sua vida.

A metamorfose começou com uma vitória sobre os problemas de saúde, que lhe perseguiam há anos. “Tive que optar entre não fazer nada e morrer ou enfrentar de frente um processo de renovação. Durante 50 anos dediquei 90% do meu tempo para a minha família e 10% para mim. De seis anos para cá, dedico 90% da minha vida para ajudar a quem precisa”.

Esta ação a levou à presidência da Associação Geral dos Trabalhadores de Cocalzinho (Agetaco), município com 17.299 habitantes, localizado a 127 quilômetros de Goiânia e, com essa mudança, Deusa passou a conjugar todas as variáveis do verbo empreender. Nos últimos seis anos, por exemplo, ela se dedica dia e noite, de forma voluntária, a três programas e projetos de alcance social que têm as mulheres como principais beneficiárias.

A rádio comunitária Vitória FM foi o primeiro deles, cuja concessão Deusa conseguiu depois de um ano de reivindicações e viagens a Brasília. “Praticamente me mudei para a capital federal. Foi uma batalha e tanto, mas não podia desistir”, conta com orgulho. Há três anos no ar, a rádio mescla música com informações que vão desde a divulgação de vagas de emprego a programas que tratam de temas como economia, meio ambiente, saúde, educação, cidadania.

Deusa é coordenadora da rádio e comanda durante três horas o programa de variedades ‘De mulher para mulher’, que vai ao ar diariamente das 8h às 11h. Durante esse período da manhã, a empreendedora aborda temas direcionados ao público feminino: saúde da mulher, planejamento familiar, violência doméstica, direitos da mulher, economia doméstica e receitas culinárias.

“Procuro trabalhar uma linguagem simples para que atinja o maior número de pessoas. O objetivo geral da rádio é o de levar informações importantes e entretenimento à comunidade; e, do programa, contribuir para aumentar a qualidade de vida das mulheres”, afirma.

Graças ao trabalho desenvolvido na Rádio Vitória, Deusa é uma das 400 comunicadoras do Brasil que faz parte da Rede Cyberela de Comunicadoras Populares, uma das estratégias do Projeto de Inclusão Digital de Mulheres Comunicadoras da organização não-governamental (ONG) Comunicação, Educação e Informação em Gênero (Cemina), que visa somar o poder do rádio ao potencial das novas tecnologias da informação e da comunicação. “Foi quando percebi o alcance da inclusão digital e parti para mais uma batalha, que foi conseguir uma estação digital para o município”, explica.

Inclusão digital

O projeto para a criação da estação digital foi aprovado pela Fundação Banco do Brasil, que liberou verba para a compra de equipamentos. Mas faltava o local para a instalação do telecentro. Deusa não pensou duas vezes. Fechou o próprio restaurante e, no lugar de mesas, cadeiras, pratos e talheres, o espaço possui, atualmente, 13 computadores ligados na rede mundial de computadores, por meio do Serviço de Atendimento ao Cidadão (Gesac), onde atende, em média, 500 pessoas por mês com cursos e acessos à internet. No local funciona, também, um ateliê e uma biblioteca.

A Estação Digital Águia Dourada funciona das 8h às 22h e oferece cursos do pacote Office (Word, Excell, Power Point), ao preço de R$10,00, por mês. De acordo com Deusa, o dinheiro arrecadado com os cursos e acessos é investido na manutenção do telecentro. “A Estação Digital é um incentivo para que todos tenham acesso à informação e possam aplicar esse conhecimento no dia a dia, na educação e também na vida profissional”, ressalta.

O pastor Paulo Dias Pereira e os dois filhos, Jônatas Felipe, 8 anos, e Paulo Júnior, 7, são alunos e participam de cursos de capacitação. Para Paulo Dias, a informática auxilia na organização das ações da igreja. Já para os filhos, a intenção dos cursos é incentivá-los na busca pelo conhecimento. “É importante que as crianças aprendam desde cedo e sempre mais”, afirma.

Geração de emprego

O município de Cocalzinho de Goiás, por meio da Agetaco, apresentou 20 projetos ao Consórcio de Segurança Alimentar e Desenvolvimento Local (Consad), um programa do Ministério de Desenvolvimento Social e Combate à Fome, que objetiva a promoção do desenvolvimento territorial, em áreas periféricas do País, com ênfase na segurança alimentar e nutricional e na geração de trabalho e renda, como estratégia principal para a emancipação socioeconômica das famílias que se encontram abaixo da linha da pobreza nessas regiões.

O projeto de Confecção e Artesanato, elaborado com idéias da presidente da Agetaco, foi aprovado e prevê a geração inicial de 420 empregos em 10 municípios da região. “O projeto é específico para atender mulheres e, em cada município, serão abertas 42 vagas”, explica. O projeto foi encampado pelo Governo de Goiás, por meio da Agência de Desenvolvimento Regional do Estado (AGDR), que deve liberar, em breve, R$ 450 mil para o projeto, que prevê, também, a capacitação de instrutoras, que repassarão os conhecimentos às demais.

Segundo Deusa, a confecção trabalhará inicialmente com roupas de malha e, com os restos de tecido, serão produzidos tapetes e ‘fuxicos’. Na área de artesanato, as mulheres trabalharão com ‘biscuit’ e argila. “A renda vai variar de um a dois salários mínimos”, afirma. A presidente da Agetaco espera que ainda no mês de março o empreendimento comece a funcionar e já arrisca uma meta. “Espero que o projeto, ao final de um ano, gere mais de 100 empregos.”

O local aonde será instalada a confecção e o ateliê de artesanato já está definido e ela não vê a hora de ver as máquinas funcionando e as mulheres engajadas no trabalho. “Não vai ter preço a satisfação que terei ao ver o projeto ser colocado na prática. Essas mulheres precisam estar no mercado de trabalho, sentirem-se produtivas, gerar renda e contribuir para a qualidade de vida da família”, acredita.

Serviço:
Sebrae em Goiás - (62) 3250-2000

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